Terapia comportamental com Aparelho de Alarme de Urina:

De acordo com efetiva Houts et al (1994), aproximadamente 38% das crianças enuréticas são levadas ao médico, e 60% destas são tratadas com farmacoterapia. Apesar de alguns médicos defenderem que o tratamento com alarme para urina é mais efetivo, tudo indica que a categoria recomenda este tratamento para apenas 3% de seus casos, casos estes em que a farmacoterapia não foi.
Wille (1986) cita que, em 1904, Pfaundler teria inventado o aparelho de alarme para enurese. Houts (1994), relata que Mowrer & Mowrer teriam criado em 1938 o tratamento com o aparelho de alarme e que, desde então, a psicologia comportamental tem sido a que mais trabalha com este instrumento.
Este aparelho consiste de duas partes: uma esteira de plástico com um sensor que fica sobre o colchão e sob o lençol, e é acoplada a um alarme que deve ser colocado ao lado da cama. No início do processo de urinar, um alarme sonoro, que fica na cabeceira da cama, é acionado. O aparelho de alarme para enurese sinaliza o início do processo de urinar. Ao acordar, a criança percebe os sinais da bexiga excessivamente cheia, podendo, então, dirigir-se ao banheiro para acabar de urinar, desligando, antes, o controle sinalizador do aparelho. Volta a dormir, depois de ter a cama trocada com o auxílio de seus pais e de ter o aparelho ligado novamente (Silvares e Souza, 1996).
Revisões da literatura de psicologia e medicina documentam a importância do aparelho de urina como componente necessário no tratamento da enurese, sozinho ou combinado com a intervenção de treinamento de controle de micção (Houts, 1991, Djurhuus, J.C.; Norgaard, J. P.; Hjalmas, K & Wille, S., 1992).
Houts (1991) aponta para a possibilidade de o aparelho atuar no aumento da liberação de vasopressina, o hormônio antidiurético (ADH). O autor afirma que aumentos no nível plasmático de vasopressina correspondem a uma parte da resposta fisiológica ao stress. Ser acordado no meio da noite, durante o urinar, pode aumentar a produção de ADH endógeno.
Outro mecanismo de ação do aparelho pode envolver o condicionamento das respostas da musculatura da bexiga ao preenchimento desta com urina, possibilitando a retenção de urina através da estabilização do músculo da bexiga (Houts, 1991). Este último mecanismo de ação pode explicar o fato de que, em nossa experiência clínica, crianças treinadas com o aparelho, ao receberem alta, não acordam no meio da noite para urinar, como se aumentassem sua capacidade de retenção de urina na bexiga. Por outro lado, crianças tratadas sem o aparelho, ao receberem alta, acordam no meio da noite para urinar no banheiro.
Pesquisas em outros países têm atestado a eficácia da intervenção com uso do aparelho (Jensen & Kristensen, 2001; Glazener & Evans, 2001; Jensen & Kristensen, 1999; Pretlow, 1999). Neste sentido, nossa equipe tem sido, de acordo com nossa pesquisa bibliográfica, a única no Brasil a publicar estudos sobre o uso do aparelho de alarme associado ao atendimento comportamental às crianças e aos adolescentes e ao acompanhamento terapêutico para os pais como forma de intervenção da enurese noturna (Prota-Silva, Facco & Silvares, 2002; Silvares, 2002; Prota-Silva, 2001; Bueno & Silvares, 1999; Souza & Silvares, 1999; Oliveira, Santos & Silvares, 2000; Silvares & Souza, 1996).

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